quinta-feira, 4 de novembro de 2010




UM ETERNO POEMA



Se meus poemas forem ouvidos
Daqui a 700 anos
Mostrarão ainda comovidos
Todos os meus secretos planos?
Como a sombra da lua
Invadindo a sarjeta
Terei uma crítica crua
E cumprirei minha vendetta?
As palavras fixas,
Embebidas no formol,
Serão notas musicais prolixas
Neste longo si bemol.
A humanidade perdida num instante,
Séculos maculando os ideais
Eu querendo ser Cervantes
Sendo apenas um, de tantos iguais.
Minha voz articulada no futuro
É emblemática possibilidade
De iluminar meu coração tão obscuro
Em outra possível realidade.
Daqui a 700 anos
Não fará qualquer diferença
Se meus poemas serão insanos
Ou algum tipo de doença.
Minhas idéias
Os habitantes do futuro
Só quererão revolvê-las,
Resolvê-las,
Entendê-las,
Devolvê-las
E, como Dante, ou Virgílio
Meu coração num estribilho
Guardará questões sem dissolvê-las
Como num “amor
Que move o sol e as estrelas.”


(AUGUSTO DIAS)
Ilusão

Olho através de suas imagens
E me imagino nos lugares
E com a convivência
Com essas pessoas
Sonho com algo impossível
Tenho esperança
Baseada em nada

Dou um passo à frente
Mas estou de costas

Prendo-me a essa agonia
Meus olhos grandes não captam a realidade
Vivo na ilusão dos pensamentos
Dentro de mim.
A ansiedade de não chegar ao ponto certo
Me enlouquece a cada dia

Quando tento acender a luz
Ela se apaga
Quando tento esquecê–los
Eles me perturbam mais ainda
Malditos pensamentos!

Me deparar com essa situação
É crer na falta de existência

Olhar no horizonte do vale
E atravessá-lo em minha mente
É sofrer voando nos braços da felicidade


Luisa Harduim
Impossível

Nem nos mais profundos sonhos
Nem nos mais puros versos
É possível encontrar,
Submersas por ações,
Palavras reluzentes
Ferventes pelo arrepio do corpo
Pelo assovio do moço
Nem nos mais escuros poços
Nem nas mais perigosas florestas
É possível declamar
Impulsionar
Citar
Descrever
Crer
Acontecer
O fato de falar
O que queremos ouvir
Ou devemos sentir

Luisa Harduim
A REALIDADE DO MUNDO


Quem sabe uma vida normal
De um mundo banal,
com coisas de uma pessoa atarefada
sem tempo de respirar ou curtir uma manhã de sol agradável,
caminhando numa praia deserta com as pessoas que mais a fazem feliz!

Por que não um mundo normal?
Para uma vida banal,
poder ir além de um cotidiano anormal
que já virou comum no meio de uma sociedade agitada
que já não se preocupa mas com nada.

Por que não uma vida tranqüila?
onde as pessoas possam trabalhar, brincar e aproveitar o viver
sem ter medo do mundo ,
aquele medo que nos faz prisioneiros de nossa casa e do nossos mundinhos.
Do mundinho que tentamos criar para proteger nossos filhos,
mas com tais atitudes
acabamos esquecendo das outras pessoas.
De pessoas inocentes
que acabam morrendo em meio à pobreza e à desigualdade,
pois no mundo de hoje é difícil acreditar em alguém,
então passamos a desconfiar de tudo e de todos a nossa volta.

Um mundo em que não podemos acreditar nem nos policiais
pois a maioria deles é corrupto ou tem algum pacto com os bandidos.
Não podemos acreditar nos nossos governadores e nos nossos políticos
pois muitos estão ai colocando dinheiro nas meias e nas cuecas,
mas não é qualquer dinheiro: é nosso dinheiro.
Dinheiro que trabalhamos duro para conseguir
e temos que entregar ao governo por meio de impostos absurdos
que deveriam ser para melhorar o lugar onde vivemos,
mas não é assim, né?

Quem sabe um dia
possamos ter um mundo mais justo,
com menos mentiras e mais igualdades sociais e econômicas.

Se você acha isto uma coisa absurda
não se assuste,
pois esta é a mais pura realidade que tentamos esconder.

Todos queremos fantasiar a realidade do mundo em que vivemos,
pois muitos têm medo de lutar contra as coisas erradas que vemos por aí.

Outras pessoas não conseguem identificar isso,
pois não sabem ler ou escrever.
Muitas destas pessoas não têm a oportunidade de melhorar, de aprender.

Sabe por que?

Para o governo é mais fácil lidar com pessoas que não entendem as coisas que se passam.

Então, vamos mudar isso,
eu quero um mundo melhor pra você e pra mim,
quero um mundo de oportunidade,
um mundo de estudo,
um mundo de melhoras,
mundo de igualdade.

Quem sabe eu não consigo um mundo melhor?


Rafaela Prado Siqueira - 13 anos.
Um sonho



Tenho um sonho

Um sonho de ser alguém

Mas não qualquer alguém

Quero ser o alguém que cuida e que cura

Quero curar os pequemos e os frágeis

Desde seus primeiros segundos de vida

Quero cuidar destas crianças maravilhosas

Que, como são crianças,

Vivem expostas a vários perigos

A vários vírus que vivem circulando neste ar

Quero me formar, ser uma grande pediatra

Grande não de tamanho

Mas, sim, de capacidade, de coragem, de determinação em ajudar ao próximo

Quero salvar vidas e alegrar famílias


Rafaela Prado Siqueira – 13anos
O mundo pelos olhos de uma criança



Olhos infantis e atentos

Olhos puros e animados com tudo ao seu redor

Pois tudo é novo, tudo importa

São olhos encantadores

De uma mente nova

Uma mente de fantasias

Que acredita em fadas,

No coelhinho da páscoa,

No Saci-Pererê,

Nas bruxas das histórias encantadas,

Na vida de princesa,

Num príncipe encantado e

Num final feliz.

Olhos que se transformam ao passar do tempo

Vão mudando com a maturidade e o jeito de pensar

Vão vendo que as fantasias acabam

Mas as lembranças sempre continuam

Para aqueles que ainda se permitem,

Em algum momento, em brincar e ser feliz

De uma maneira fácil e infantil

Somente para relembrar os velhos tempos

Se achar maluco, pelo menos uma vez

Dançar e pular loucamente

Sem querer saber o que os outros vão achar de você

Fazer amigos com facilidade

E acreditar naquela pessoa desde o momento em que você a vê

Isso é ser criança de verdade



Rafaela Prado Siqueira – 13anos
O encantar de uma valsa



Um príncipe, uma princesa

Uma conquista num apresentar

Os olhares que se cruzam para representar

Um amor que nasce

Entre os passos de uma dança

De uma alma leve e sonhadora

Que, com suavidade, desliza pelo salão

Encantando a tudo e a todos ao seu redor

Num bailar explêndido

Com passos e rodopios

Um sorriso puro

De quem realmente entende

A sensualidade da dança

E o charme de uma dama

Que sabe valsar conforme a música

Valsar elegante e delicadamente

Pelo salão e pela vida

Com a ajuda do coração

Rafaela Prado Siqueira – 13anos
Sem titulo



Dizem que a curiosidade matou o gato

Então decidi te falar

Não quero que você morra

Então procurei uma música para te explicar

Pois com palavras não consigo te revelar

O que sinto de verdade é difícil te falar

O que irias dizer ?

O que irias pensar ?

Talvez eu saiba, mas não quero acreditar

Então é melhor que saibas e talvez venha me procurar



Rafaela Prado Siqueira – 13 anos.