sexta-feira, 9 de julho de 2010

Estava sentado no banco de um ônibus. Sentia-se só. Ouvia atentamente a música, como se fosse à única coisa que importasse naquele momento. Olhava a paisagem pela janela, sem perceber direito o que se passava lá fora. O mundo quase não o importava. Concentrava-se apenas no que pensava e no que conversava com o coração. Estava com fisionomia tristonha e desesperada. Fazia um apelo. O seu íntimo estava abalado. Dos seus olhos quase caía uma lágrima. Prendia o choro para ninguém perceber seu momento de agonia. Precisava de um abraço sincero.

Desabafava com Deus sobre o que o deixava inquieto. Não agüentava mais ser apenas suportado por outros, se sentia um fardo para as pessoas. Não sabia em quem confiar. Queria alguém que o amasse, não o tratasse com falsidade ou deboche. Ele se sentia diferente de todos. Não era bom para nada. Ninguém gostava dele pelo que era ou pelo que fazia. Sentia falta dos tempos da infância, dos amigos esquecidos pelo tempo, com os quais quase não tinha mais contato. Esses sim, ele podia confiar para o que desse e viesse. Eram as amizades eternas, aquelas do tipo que nem as águas podem apagar, nem o fogo queimar ou a mente esquecer. Agora ele chorava por esses amigos. Perguntava-se se eles estavam se sentindo como ele: sozinho em meio a multidão, sem um ombro de um amigo verdadeiro para se apoiar e desabafar. Ainda bem que ele tinha Deus. Nesse, sim, ele podia confiar.

A música foi um instrumento valioso naquela hora. O ajudou a se recuperar e olhar para frente novamente. O mundo não iria acabar naquele momento. A música, como sempre, é algo reanimador. O homem saiu dali mais forte. Percebeu que a vida é complicada e que um dia tudo aquilo acabaria e ele poderia descansar em paz. Paz, vida, descanso. O homem reflete. Paz só se alcança na morte? Em algum momento da vida não enfrentamos problemas? O homem só descansa no fim de seu trajeto na Terra? Aquele homem desceu do ônibus. E quando atravessava a estrada para ir para sua casa sofreu um acidente. Ferido e caído no chão pensava se chegara a sua hora. Se ele saberia o que é paz. Mas ouviu uma voz suave em seu ouvido que dizia: “Meu amor, não vou te deixar, lembre-se que sua família o ama, confie em mim”. Naquela hora ele encontrou a paz e pôde descansar. Sobreviveu nos braços de sua família. Encontrou um amor verdadeiro e eterno.


Harife
Aluno do 8° ano
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ

Um comentário:

  1. que texto liiiiiiindo , parabéns , realmente , o amor verdadeiro é da nossa família .

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