Olá, meu nome é Augusto Dias. Este é um espaço criado por mim para a publicação de textos de meus alunos, apaixonados pelo ato de escrever. Aqui reunimos desde o Ensino Fundamental ll até a Pós-Graduação. Eu acredito que se uma fala voa, um poema ecoa. Aqui eu e meus alunos registramos esse eco. Boa leitura e sejam muito bem-vindos! Um abração do A.D.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
A menina que tinha um brilho único nos olhos e um sorriso leve era sonhadora.Sonhava e nunca admitia o romance, a aventura e os dramas de seus sonhos.Sonhava e tinha vergonha de sonhar.Sonhava alto e, quando falava em voz alta sobre seus sonhos, logo desistia de compartilhar todos eles.
A menina que viveu a infância tão bem acompanhada e tão só.A menina de extremos, que sempre se julgou tão autossuficiente e tão dependente de tanta gente.
A menina que sempre se mostrava uma fortaleza, mas poucos sabiam que a bela fortaleza estava preste a desmoronar por dentro.Encontram-se apenas ruínas lá dentro, e são poucos os que conseguem entrar na fortaleza, onde o muro e as grades continuam intactas, belas e firmes.Lá dentro? Só há cacos e várias delas, se prendendo a lembranças, suposições e pensamentos.
Dessa fortaleza, vez ou outra, saem alguns desses cacos e transparecem nos atos, expressões e palavras dessa menina.
Esses cacos sempre a cortam quando saem e nunca vão embora de vez, a menina gosta de ter lembranças -boas e ruins -e faz aqueles cacos voltarem, pois se ela esquecê-los, não poderá imaginar uma forma diferente de ter feito tudo de novo.
A menina orgulha-se de ter esses cacos, pois só assim ela se vê no agora e gosta do que vê. "Com toda a certeza, se eu não tivesse vivido tudo isso, não seria o que tanto me orgulha", é o que sempre pensa.
E, às vezes, uma cruel dúvida aparece: “Será que eu devo me orgulhar mesmo de tudo isso?” E às vezes ela quer tanto ficar só. Às vezes é o que ela mais teme: a solidão.
A menina gosta de pensar, gosta de acreditar, gosta de seguir e de imitar as pessoas, elas sempre são engraçadas.
A curiosidade da menina sempre foi tamanha em relação às pessoas, são tão previsíveis e sempre parecem ser imprevisíveis.
Os olhos atentos, brilhantes e curiosos da menina sempre captaram com satisfação todos os movimentos daqueles que a fazem bem, geralmente todos os que ela gosta tem movimentos tão sublimes, contínuos e bem elaborados.
Ela não sabe se é isso mesmo ou se ela imagina junto com o que vê.
O mundo da menina são dois. A imaginação e o real. Ela nunca conseguiu diferenciar muito bem os dois e faz questão de misturá-los sempre que pode.
A menina sempre amou, sempre foi amada.
Ela acreditava no amor incondicional, e amou a todos. Incondicionalmente.
Ela acreditava mesmo nos anjos e muitos deles cruzaram seu caminho.
Ela existiu, existe e sempre existirá.
Seus anjos também.
Marcella Marques -14 anos .
Aluna do 9° ano do Ensino Fundamental ll
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
Somos muitos!
Somos diferentes!
Somos gente!
Somos pessoas diferentes!
Somos amigos!
Somos irmãos !
Irmãos do peito!
Cada um tem seu jeito!
Jeitos todos temos!
Jeitos divertidos!
Jeitos parecidos!
Jeitos diferentes
Somos únicos
Somos nós mesmos
Somos meninos e meninas.
Rafaela Prado Siqueira
Aluna do 8° ano do Ensino Fundamental
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
Amor,vamos fugir deste lugar,
Vamos viver sem limites ou regras.
Vamos viver só eu e você?
Vamos ver a outra metade do mundo?
A metade da alegria, da paz e da paixão?
Vem comigo viver esse conto de fada, só eu e você.
Vamos ser felizes?
É só você dizer sim, que te levo para esse mundo,
Onde todos são felizes.
Lucas Monteiro Diniz
Alunodo 8° ano do Ensino Fundamental
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
Sempre temos amigas.
Difícil é decidir qual amizade é verdadeira.
Podemos dizer que é a que chamamos
De mlhor amiga.
Mas quando isso é verdade?
A gente descobre isso com os pequenos gestos
E palavras de carinho, de amizade e conselhos.
Podemos descobrir também quando estamos tristes
Ou com alguma dificuldade.
Aquela que você fala “quero ficar sozinha” e ela fica ao seu lado,
Às vezes, sem falar absolutamente nada, mas te apóia.
Quando você pensa em desistir de alguma coisa
Ela sempre está lá para dizer que você pode continuar e te ajuda a caminhar.
Com esses e outros pequenos gestos descobrimos quem são
As nossas melhores amigas
E em quem podemos confiar.
Minha melhor amiga
Sempre estarei com você,
Seja qual for a distância e o tempo
Estaremos juntas em pensamento.
Rafaela Prado Siqueira
Aluna do 8° ano do Ensino Fundamental
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
domingo, 27 de junho de 2010
Não sei por que, mas com o passar do tempo, ela foi conquistando um espaço no meu coração. Pensei comigo: por que não me juntar a ela?
Esta menina fazia de tudo para me ter como melhor amigo ou amigo.
O tempo passou, nós nos afastamos. Será que foi o destino?
Um dia reencontrei ela no msn e vi que esta menina ainda era a mesma , simpática e tudo mais. Pensei muito. Será que fiz a coisa certa antes? Sei que não fiz, porque ela é muito especial pra mim agora. Porém, sempre falo: não julgue as pessoas pela aparência. Às vezes elas podem ser suas melhores amigas ou suas namoradas.
É assim que conheci essa menina que se chama Victoria. A menina do tempo que roubou meu coração e fez bom uso dele.
Lucas Monteiro Diniz
Virando adulto
O novo descobrir
Os novos porquês
Novos sentimentos
Novo corpo
Nova alma
O que aconteceu com aquele (a) criança?
Onde está?
Para onde foi?
Para o fundo da alma
Onde encontraremos abrigo
Em meio a um mundo corrompido
Com um pensamento inocente, seremos crianças
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Retrato dela
Ela
Minha futura esposa
E mãe de meus filhos.
Uma mulher super especial.
Olhos castanhos, sorriso alegre, cabelo ondulado,
longos e castanhos, alta, branca, e muitas outras características
que palavras não podem expressar.
Linda, inteligente, agradável, alegre, tímida, risonha,
talvez um pouco emo,
mas será meu futuro muito mais-que-perfeito.
A mulher de minha vida, super especial para mim,
K...(leal), meu futuro, minha vida.
Matheus Leal
Aluno mdo 8° ano do Ensino Fundamental
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
Sabe, existem coisas no mundo pela qual se vale apena lutar.
Como por uma amizade, por exemplo.
Ás vezes passamos por fases turbulentas e complicadas,
Mas aos poucos superamos, ou não?
É meio díficil para mim acreditar que não vale apena lutar
Afinal, por mais magoados que estejamos, continuamos a amar.
E se, talvez, a razão pra toda essa turbulência
For uma palavra que dissemos?
Não sei, talvez, pode ser...
Mas a questão é: por que não tentar de novo?
Não quer desistir? Então recomece!
Faça da sua antiga amizade uma nova.
Só pelos velhos tempos...
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Como?
Como pode uma pessoa, de um modo tão inofensivo,
Fazer você estremecer inconcientemente?
Como um nome pode atormentá-lo a ponto de não deixá-lo dormir,
Pois você tem medo de sonhar, se iludir de forma tão doce,
Para depois descobrir que tudo não passou de uma doce ilusão
Por parte da sua fértil imaginação.
Como um simples perfume pode enebriar sua mente
E enfraquecer o resto dos seus sentidos?
Como um simples toque, como um leve roçar de mãos,
Pode fazer você se sentir no melhor estado possível?
Como um simples olhar pode se tornar tão perfeito
Ao ao ponto de te fazer sentir-se mais leve?
Como pode uma pessoa amar a outra desesperadamente
Sem nem cogitar a possibilidade de contar a seu amado
O que sente, por puro medo do que pode acontecer depois?
É realmente muito complicado tentar entender
A cabeça de um mero humano quando este se vê apaixonado.
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Verdade
Eu sei que a verdade é necessária,
Mas ela machuca.
Ela põe para fora todas as mágoas,
Mas também faz você sentir
Todas as dores de modo inconfundível e pouco remediável.
Juliana Andrade Leite Alves
Aluna do 8° ano do Ensino Fundamental
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
A grande dádiva
da vida.
A arte de combinar os sons.
A forma mais linda
de expressar os sentimentos.
A música emociona
E toca o íntimo do ser humano.
Às vezes é uma resposta
Indispensável para a vida.
Combina-se com a alma
E produz o belo.
Música é comunicação.
Na melodia é simples e pura.
Quando se harmoniza
É exuberante e inspiradora.
É algo inexplicavelmente lindo.
Música é a arte mais perfeita
do universo.
A música é onipresente.
A música é onipotente.
A música não é Deus.
Mas tenho certeza
Que é algo divino.
Com o tempo
Foi organizada.
Seu ritmo foi escrito.
A partitura surgiu.
Semibreves, mínimas,
Semínimas, colcheias,
Semicolcheias, fusas
E semifusas.
Depois que a música
Foi registrada no papel
Mais difícil foi esquecê-la.
Música,
Diversidade.
Universal, religiosa,
Profana, clássica.
Música é variedade.
Cuidado ao usá-la,
Pois ela é um bem comum.
A música tem por objetivo
Expressar os sentimentos do homem
E não ridicularizá-lo.
Música,
a grande arte de combinar os sentimentos
e expressá-los
por meio
dos sons.
Harife Huri Eugênio da Silva, 13 anos.
Aluno do 8° ano
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
Desculpe se não paro de pensar em você
É que a nuvem sempre fica mais densa
E a saudade, mais intensa
Pouco antes de chover.
Perdoe-me se não esqueço do seu cheiro
É que a Lagoa sempre fica mais escura
E a distância do seu cais tanto perdura...
Só contigo eu fico inteiro.
Venha me visitar no subúrbio
Vou falar palavras de amor,
Como num murmúrio...
Você será minha senhora
Eu serei o seu senhor,
Seremos Vênus e Mercúrio.
Cruze a cidade devagar e decididamente,
Meu bairro será a sua ilha, sua Grécia
Eu, um Homero fragmentado e insistente
Tecendo a Ilíada de nossas peripécias
E sussurrando seu nome entre os dentes.
Desculpe-me se confundo a mitologia
Mas construo a poesia
Para perpetuar minha memória
Palavra por palavra, dia-a-dia
Construindo nossa história.
Perdoe-me se esqueço as regras gramaticais
Ou se não sou muito bom historiador
É que venho lá do fundo dos quintais
E só sei cantar o nosso amor.
No subúrbio é sempre assim,
As histórias vêm de outros carnavais
Lá, o pouco com Deus é muito,
Mas com você é muito mais.
(Augusto Dias)
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Mas quando estou longe de você
Eu sinto insegurança e medo.
Penso: por que fico assim?
É porque eu sei que,
Quando estou perto de você,
Posso sentir você,
Me encostar em você.
Poder encostar nossos lábios,
Poder te abraçar,
Isso me dá segurança.
Poder ficar perto de você
É tudo que sempre quis
Quando tive medo.
Longe de você, não sou nada.
Quando não estou perto de você
Fico pensando em você ao meu lado
E quando você está ao meu lado
Me sinto seguro,
Posso fazer qualquer coisa,
Pois sei que se fizer
Algo de errado,
Poderei virar para o lado
E te abraçar.
(Para Karine da Cunha Teixeira)
Lucas Monteiro Diniz - 13 anos.
Aluno do 8º Ano
Colégio Nossa Senhora da paz
São Gonçalo – RJ
Dos cantos saía
e com lentidão se enchia.
Num piscar de olhos,
caía.
Lágrima é feita de água.
Lágrima é o desabafo da alma.
Lágrima é pura como o coração de uma criança.
Lágrima é uma declaração de amor.
Lágrima é um adeus.
Lágrima é emoção.
Lágrima é sentimento.
Lágrima é um apelo.
Lágrima é um pedido de socorro.
Lágrima é um jeito de escapar de si mesmo.
Lágrima é medo.
Será que esse é o verdadeiro trajeto da lágrima?
Será que ela representa tudo isso?
A lágrima é a verdadeira expressão de sinceridade.
Lágrima é falar sem palavras.
Nasce nos espelhos da alma.
É uma grande emoção
Que vem do coração.
Reflete o íntimo do ser humano.
Revela a verdade dos sentimentos.
Harife, Adriana, Alessandra e Rafaela.
Alunos do 8° ano
Colégio Nossa Senhora da paz
São Gonçalo – RJ
O que podemos fazer quando estamos amando?
Amor, palavra tão pequena, mas com significado enorme.
Amor, sensação maravilhosa e ao mesmo tempo embaraçosa,
Que não sabemos explicar.
Existem vários tipos de amor:
O de mãe (que, não importa o que você faça, nunca acaba),
O de um pai com seu filho,
Amor entre amigos, amor de namorados,
Entre todos estes, tem aquele amor que só o coração sente
E que tentamos esconder.
Amor, sensação que não podemos parar de sentir
(Ou então mandá-lo esperar um pouco),
Nem podemos obrigar ninguém a nos amar,
Pois o amor é um sentimento que se constrói
Com o tempo,
Com a convivência,
Com respeito
E com... amor .
Rafaela Prado Siqueira
Aluna do 8° ano
Colégio Nossa Senhora da paz
São Gonçalo – RJ
A que ponto chegamos?
Que caráter temos?
Quem somos?
Que respeito temos?
Quais são suas escolhas?
São boas?
Por que fazem isso?
Não interfiram
Por favor, parem
Por favor, não matem
Não assustem
Mudo
Lágrimas no silêncio das perguntas
Luisa Harduim
Aluna do 8° ano
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo – RJ
Apresento-me sendo "EU"
Matheus Amaral Leal
Ou Matheus Amaral
Prefiro Matheus Leal
Chato para alguns
Legal para outros
Engraçado talvez
Lindo sempre
Meio alto,meio magro
Bem branco,olhos azuis
Lindo,inteligente
Acho-me atraente
Adoro matemática
Um pouco da gramática
Não de história, nem geografia
Sim biologia
Sonho em ser medico
Neurologista talvez
Ou biólogo de insetos
Qual deles?Não sei
Terei família
Casarei com "ELA"
Serei pai de gêmeos
pelo menos em minha sonhadela)
Morrerei tarde, bem velho
De morte natural
Esse sou eu
Ou serei eu
Com meu retrato ideal.
Matheus Leal
Aluno do 8° ano
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo – RJ
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Um olhar concentrado,
Preocupado, penetrado
Num mundo que poucos
Tem a oportunidade de conhecer.
Idéias boas? Talvez.
Ou serão idéias inovadoras?
Será que lá nós podemos voar?
Talvez o pensador possa responder.
Eu quero ir,
Quero descobrir.
Quero saber se voar é bom.
Falta coragem.
Tenho medo.
Estou preso nesse mundo.
Se eu sair talvez não voltarei mais.
E outra coisa: eu não sei como sair.
Será que o pensador está procurando por uma saída?
Se ele tivesse asas poderia ser livre,
Ou ele já é?
Quero estar onde ele está.
Mas como?
Não faço idéia.
Quero voar. Voarei.
Determinei.
O que é isso?
Que lugar é esse?
Porque estou aqui em cima?
E quem está me segurando?
Olhei para cima e vi.
Era o pensador.
Ele tem asas.
Sim, ele tem asas.
Ele está livre.
E eu também.
Agora estou solto no ar.
Em queda livre.
Agora estou voando.
Tenho asas.
Avisto um lugar de paz,
Um lugar sem dor,
Onde só os pensadores,
Os libertos, os voadores
Podem estar.
Mas no final
Abro os olhos
Aqui estou eu de novo.
Mas estou preparado.
Sei que posso voar.
Harife Huri Eugênio da Silva, 13 anos
Aluno do 8°ano do Ensino Fundamental ll
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
O amor
É quando você ama uma pessoa até o fim.
Com o amor, às vezes você poderá até sofrer,
Porque
Ele não é uma coisa passageira
Como o tempo,
Mas sim uma coisa que você sempre lembrará,
Nunca passará.
Como se fosse uma parte de você,
Que não pode ser retirada de você,
Como sua sabedoria.
Lucas Monteiro Diniz
Aluno do 8º ano do Ensino Fundamental ll
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
Quero deixá-lo com você para sempre
Porque a minha vida está na sua mente
Que eu deixei para nunca ser esquecido
Esse amor infinito
Que deixei contigo
Nunca vai se esquecer
Que a vida que tenho
Dedico a você
A vida que tive contigo
Vai ser perfeita para sempre
Porque nunca vai sair da nossa mente
Não vou deixá-la perecer
Pois você é tudo que tenho
E não vou deixá-la morrer.
João Paulo Soares
Aluno do 8° ano do ensino Fundamental ll
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
Quando você é criança quer brincar
De bola,
De carrinho,
De boneca
e
Bolinha de gude.
Com o tempo você vê que aquelas brincadeiras
Eram muito infantis.
Agora, quando você chega na fase jovem
Quer mais é se divertir
Conhecer pessoas legais,
Diferentes,
Interessantes
e
Se apaixonar!
A paixão na adolescência é a melhor coisa que acontece
Você se sente uma pessoa feliz,
Querida
e
Amada por outra pessoa.
Alguns têm vergonha de expressar esses sentimentos...
Solte o que está dentro de você!
Ser adolescente
É muito bom!
É só saber viver
O que há de bom na vida!
Ricardo Pacheco.
Aluno do 8º Ano do ensino Fundamental ll.
Colégio Nossa Senhora Da Paz
São Gonçalo - RJ
Perco meus princípios,
meus meios de raciocínio,
não penso em outra coisa.
Você está me deixando louca.
Me perco em pensamentos desconexos, sem sentido
E, entre eles, somente um fator em comum: você.
Entre todos meus problemas, está você.
Em todos os momentos felizes está você.
Mas, por que?
Caí em um buraco sem fundo e me sinto péssima.
Sem forças para levantar, sem esperança de lutar.
Desisti de continuar,
mas devo confessar:
que perfeita experiência é amar...
Só é ruim quando acaba.
Juliana Andrade
Aluna do 8°ano do Ensino Fundamental ll
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo – RJ
sábado, 19 de junho de 2010
(Augusto Dias)
Escrevo para desaparecer
Sob as frestas
Da floresta insone;
Através do labirinto
Pop-cultural
Onde, mais que a obra,
O que sobra
(E se pretende imortal)
É o nome.
Escrevo sobre a folha, poemas:
Papel e caneta
Matam minha fome.
Os fonemas
São amigos argutos,
Vestidos de onomatopéias:
Não são Césares
Ou Brutus,
Nem heróis de falsas odisséias.
Escrevo para o mundo real
Uma fábula sem importância:
Quero desafiar, desmontar o banal
Dessa gente fake
E sem substância.
Escrevo
Para quebrar
O espelho vazio,
Esse frágil
“Liame com o mundo”.
Às vezes
Sou como cão no cio;
Minha poesia é a dama
Beijando o vagabundo.
O poema me chama
Mas, como se chama
O poema?
Nesse teorema
Não quero luzes
Nem cruzes
Na batalha da escrita:
Que ninguém tema
Minha certeira bala,
Atingindo outra alma aflita.
O poema grita
Quando alguém o cala,
E fala alto
Quando se irrita.
Reflita:
Escrevo
Para ”suscitar liberdades”;
Nada que digo
Cabe em mim
E nunca sei
Se há mentira ou verdade
Tranqüilidade ou perigo
No começo do meu fim.
Escrevo para atravessar
A linha tênue
Que separa
O espetáculo
Do espetacular.
Palavra por palavra
O poema é receptáculo
Daquilo que quero falar.
Tento especular,
Mas diante
Da linha do tempo,
Lentamente
Minha poesia dá ré,
Até
Ré - começar.
José Saramago; in:Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
José Saramago (1922-2010)
Bibliografia sugerida:
"Os Poemas Possíveis"
(Poesia) 1966
"Levantado do Chão"
(Romance) 1980
"Memorial do Convento"
(Romance) 1982
"O Ano da Morte de Ricardo Reis"
(Romance) 1986
"A Jangada de Pedra"
(Romance) 1986
"História do Cerco de Lisboa"
(Romance) 1989
"O Evangelho Segundo Jesus Cristo"
(Romance) 1991
"Ensaio Sobre a Cegueira"
(Romance) 1995
"Todos os Nomes"
(Romance) 1997
"A Caverna"
(Romance) 2000
"Ensaio Sobre a Lucidez"
(Romance) 2004
"Poesia Completa"
(Poesia) 2005
"As Intermitências da Morte"
(Romance) 2005
"Caim"
(Romance) 2009
(Bibliografia retirada do site oficial da Fundação José Saramago )
quinta-feira, 17 de junho de 2010

Casa da Palavra
(Augusto Dias)
Nos meus jardins sintáticos,
Atrás de fonemas em flor,
Guardo um verbo jurássico
Que os antigos chamavam amor.
Minha vida,
Elipse proposital.
Minha voz,
Dissipa-se num tempo verbal.
Sou anáfora,
Pleonasmo,
Encontro consonantal,
Metáfora de um espasmo
Surgindo de outras figuras,
Perdido na estrutura
Da teoria gramatical.
Sujeito ora passivo,
Ora inexistente,
Sou feito desse verbo cativo
Pretérito, futuro e presente.
Lingüista de meia pataca,
Detesto polainas babacas.
Sou paradigma de um verbo regular:
Parto, canto
E ainda me encanto
Com vários modos de amar.
Minha história é descritiva
Ou normativa,
Por vezes instintiva
Como gramáticas geral
E comparada.
Não tente ser minha amada
Se só me lê a capa.
Estude-me concentrada
E vai ter o queijo e a faca.
Desista de decorar minha estilística
E, muito menos, minha retórica.
A prática é sempre melhor
Do que a leitura teórica.
Entre nos meus jardins sintáticos,
Sou um ser paradigmático
Que bate,
Que cura,
Que sara.
Meu intelecto é uma fissura
Que adquire formas raras.
Esta é minha casa,
Morada da palavra.
Sou o seu senhor
E faço dela a minha escrava.
Se erro na concordância
Ou em qualquer circunstância
A língua me bate na cara.
Perdoe minha ignorância,
Mas não sou nenhum
Doutor Bechara.
Sei para que estou aqui
E para que nós todos viemos,
Agora a gente já vamos
Pois, conosco, ninguém podemos.
Que sejam bem vindos os que trazem poemas
Adormecem sonhos e silêncios.
À seu modo, do seu jeito
Dias melhores anunciam
Amores insuspeitos
Entre suspiros plenos.
Evoé
Para todo aquele que vier
Trazendo poemas esparramados no olhar.
Dizer o poema é tarefa mista,
Ao mesmo tempo sagrada e profana
É quase uma coisa mística,
Para uns, normal
Para outros, insana...
Ouvi-los não é para qualquer um,
Embora quaisquer uns de seus poemas possam tocar-nos...
Com lirismo no pensamento
O mensageiro da poesia
Cruza a noite nessa estranha missão:
Faz dela seu testamento
E, deste, sua profissão.
Saúdo aos que escrevem, lêem, dizem poemas.
Abram alas
Para esses poetas mestres-salas,
Eles dançam dentro do compasso
E avisam:
“Façam como eu digo,
Mas também façam como eu faço”.
Ave àqueles que escrevem seus primeiros poemas
E o mostram ao mundo
Pois, ao fazê-lo,
Abrem uma porta que guarda toda sensibilidade
Dessa literária habilidade de ser fecundo.
Aleluia aos que lêem pelo menos um poema por semana,
Em qualquer língua, qualquer idioma,
Pois neles
Refaz-se a esperança do poema e sua trama.
Ode àqueles que dizem poesia,
Eles trazem a luz que reduz
E expulsa os problemas;
Seu fôlego há de ser abençoado
E seu caminho eternamente traçado
Pelos mais lindos poemas.
Que sejam bem vindos
(Tão lindos!)
Os que trazem poemas...
Augusto Dias
Eu Exijo Um Poema
Eu Exijo Um Poema
Que seja tenaz e mostre a força do meu sentimento,
Que seja capaz de corar as moças do meu tempo.
Eu exijo um poema feito de madrugada
Que reflita o amor nos olhos de minha amada
Que seja poesia na sua forma mais pura
E não admita qualquer ranço de amargura.
Eu exijo um poema onde meus amigos se reconheçam
E que as palavras, indomáveis, não me obedeçam
E falem de minha alma muito pouco casta
E digam que um só amor é o que me basta
Eu exijo um poema a todos endereçado
E que voltando ao velho tema, não me deixe embaraçado
Ao descrever todo o medo que existe em meu ofício
Pra ninguém perceber que persiste o antigo vício
De querer sempre amar o que não posso atingir
E escrever sempre é mais fácil do que sentir.
Eu exijo um poema que me deixe nu em pêlo
Que seja meu norte, mesmo que eu não possa vê-lo
E, se por acaso, me perder nos descaminhos desta vida
Ele me traga de volta para casa
Numa viagem pouco sofrida
Para que eu possa recomeçar tudo do zero
E mostrar para a mulher que amo tudo o que quero.
Eu exijo um poema que seja uma porta mágica
Por onde nunca entre qualquer notícia trágica
E que comemore meu aniversário todo dia
E que colabore para que eu não seja adversário
De minha própria poesia.
Eu exijo um poema sem começo, meio ou fim
E que sobreviva sem tropeços, mesmo sem mim
E que seja minha assinatura, minha digital
Minha caricatura, meu ideal
Que é exigir do poema, quando este chegar ao final
Que ele não exija nem peça mais nada
A esse pobre poeta mortal.
