Outros Carnavais
Desculpe se não paro de pensar em você
É que a nuvem sempre fica mais densa
E a saudade, mais intensa
Pouco antes de chover.
Perdoe-me se não esqueço do seu cheiro
É que a Lagoa sempre fica mais escura
E a distância do seu cais tanto perdura...
Só contigo eu fico inteiro.
Venha me visitar no subúrbio
Vou falar palavras de amor,
Como num murmúrio...
Você será minha senhora
Eu serei o seu senhor,
Seremos Vênus e Mercúrio.
Cruze a cidade devagar e decididamente,
Meu bairro será a sua ilha, sua Grécia
Eu, um Homero fragmentado e insistente
Tecendo a Ilíada de nossas peripécias
E sussurrando seu nome entre os dentes.
Desculpe-me se confundo a mitologia
Mas construo a poesia
Para perpetuar minha memória
Palavra por palavra, dia-a-dia
Construindo nossa história.
Perdoe-me se esqueço as regras gramaticais
Ou se não sou muito bom historiador
É que venho lá do fundo dos quintais
E só sei cantar o nosso amor.
No subúrbio é sempre assim,
As histórias vêm de outros carnavais
Lá, o pouco com Deus é muito,
Mas com você é muito mais.
(Augusto Dias)
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