Eu Exijo Um Poema
Que seja tenaz e mostre a força do meu sentimento,
Que seja capaz de corar as moças do meu tempo.
Eu exijo um poema feito de madrugada
Que reflita o amor nos olhos de minha amada
Que seja poesia na sua forma mais pura
E não admita qualquer ranço de amargura.
Eu exijo um poema onde meus amigos se reconheçam
E que as palavras, indomáveis, não me obedeçam
E falem de minha alma muito pouco casta
E digam que um só amor é o que me basta
Eu exijo um poema a todos endereçado
E que voltando ao velho tema, não me deixe embaraçado
Ao descrever todo o medo que existe em meu ofício
Pra ninguém perceber que persiste o antigo vício
De querer sempre amar o que não posso atingir
E escrever sempre é mais fácil do que sentir.
Eu exijo um poema que me deixe nu em pêlo
Que seja meu norte, mesmo que eu não possa vê-lo
E, se por acaso, me perder nos descaminhos desta vida
Ele me traga de volta para casa
Numa viagem pouco sofrida
Para que eu possa recomeçar tudo do zero
E mostrar para a mulher que amo tudo o que quero.
Eu exijo um poema que seja uma porta mágica
Por onde nunca entre qualquer notícia trágica
E que comemore meu aniversário todo dia
E que colabore para que eu não seja adversário
De minha própria poesia.
Eu exijo um poema sem começo, meio ou fim
E que sobreviva sem tropeços, mesmo sem mim
E que seja minha assinatura, minha digital
Minha caricatura, meu ideal
Que é exigir do poema, quando este chegar ao final
Que ele não exija nem peça mais nada
A esse pobre poeta mortal.
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