quinta-feira, 17 de junho de 2010

Eu Exijo Um Poema

Eu Exijo Um Poema


Que seja tenaz e mostre a força do meu sentimento,

Que seja capaz de corar as moças do meu tempo.

Eu exijo um poema feito de madrugada

Que reflita o amor nos olhos de minha amada

Que seja poesia na sua forma mais pura

E não admita qualquer ranço de amargura.

Eu exijo um poema onde meus amigos se reconheçam

E que as palavras, indomáveis, não me obedeçam

E falem de minha alma muito pouco casta

E digam que um só amor é o que me basta

Eu exijo um poema a todos endereçado

E que voltando ao velho tema, não me deixe embaraçado

Ao descrever todo o medo que existe em meu ofício

Pra ninguém perceber que persiste o antigo vício

De querer sempre amar o que não posso atingir

E escrever sempre é mais fácil do que sentir.

Eu exijo um poema que me deixe nu em pêlo

Que seja meu norte, mesmo que eu não possa vê-lo

E, se por acaso, me perder nos descaminhos desta vida

Ele me traga de volta para casa

Numa viagem pouco sofrida

Para que eu possa recomeçar tudo do zero

E mostrar para a mulher que amo tudo o que quero.

Eu exijo um poema que seja uma porta mágica

Por onde nunca entre qualquer notícia trágica

E que comemore meu aniversário todo dia

E que colabore para que eu não seja adversário

De minha própria poesia.

Eu exijo um poema sem começo, meio ou fim

E que sobreviva sem tropeços, mesmo sem mim

E que seja minha assinatura, minha digital

Minha caricatura, meu ideal

Que é exigir do poema, quando este chegar ao final

Que ele não exija nem peça mais nada

A esse pobre poeta mortal.


(Augusto Dias)

Nenhum comentário:

Postar um comentário