Ela acreditava em anjos e, por acreditar, eles existiam.
A menina que tinha um brilho único nos olhos e um sorriso leve era sonhadora.Sonhava e nunca admitia o romance, a aventura e os dramas de seus sonhos.Sonhava e tinha vergonha de sonhar.Sonhava alto e, quando falava em voz alta sobre seus sonhos, logo desistia de compartilhar todos eles.
A menina que viveu a infância tão bem acompanhada e tão só.A menina de extremos, que sempre se julgou tão autossuficiente e tão dependente de tanta gente.
A menina que sempre se mostrava uma fortaleza, mas poucos sabiam que a bela fortaleza estava preste a desmoronar por dentro.Encontram-se apenas ruínas lá dentro, e são poucos os que conseguem entrar na fortaleza, onde o muro e as grades continuam intactas, belas e firmes.Lá dentro? Só há cacos e várias delas, se prendendo a lembranças, suposições e pensamentos.
Dessa fortaleza, vez ou outra, saem alguns desses cacos e transparecem nos atos, expressões e palavras dessa menina.
Esses cacos sempre a cortam quando saem e nunca vão embora de vez, a menina gosta de ter lembranças -boas e ruins -e faz aqueles cacos voltarem, pois se ela esquecê-los, não poderá imaginar uma forma diferente de ter feito tudo de novo.
A menina orgulha-se de ter esses cacos, pois só assim ela se vê no agora e gosta do que vê. "Com toda a certeza, se eu não tivesse vivido tudo isso, não seria o que tanto me orgulha", é o que sempre pensa.
E, às vezes, uma cruel dúvida aparece: “Será que eu devo me orgulhar mesmo de tudo isso?” E às vezes ela quer tanto ficar só. Às vezes é o que ela mais teme: a solidão.
A menina gosta de pensar, gosta de acreditar, gosta de seguir e de imitar as pessoas, elas sempre são engraçadas.
A curiosidade da menina sempre foi tamanha em relação às pessoas, são tão previsíveis e sempre parecem ser imprevisíveis.
Os olhos atentos, brilhantes e curiosos da menina sempre captaram com satisfação todos os movimentos daqueles que a fazem bem, geralmente todos os que ela gosta tem movimentos tão sublimes, contínuos e bem elaborados.
Ela não sabe se é isso mesmo ou se ela imagina junto com o que vê.
O mundo da menina são dois. A imaginação e o real. Ela nunca conseguiu diferenciar muito bem os dois e faz questão de misturá-los sempre que pode.
A menina sempre amou, sempre foi amada.
Ela acreditava no amor incondicional, e amou a todos. Incondicionalmente.
Ela acreditava mesmo nos anjos e muitos deles cruzaram seu caminho.
Ela existiu, existe e sempre existirá.
Seus anjos também.
Marcella Marques -14 anos .
Aluna do 9° ano do Ensino Fundamental ll
Colégio Nossa Senhora da Paz
São Gonçalo - RJ
Marcella inaugura, de forma belíssima, o espaço do 9° ano no VERSO LESTO. Parabéns e seja muito bem-vinda!
ResponderExcluirmt bom
ResponderExcluirlindo
parabens
Adoreiii! Eu me identifiquei muito com o texto! Você escreveu um texto belissimo, cheio de verdades e problemas. Uma questão bem adolescente, digamos assim. Muito bom. Perfeito!
ResponderExcluirobrigada gente *-*
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